Insisto em ser burra. Tive todos os sinais.
Mas desta vez não dói tanto como da primeira, "it's never as good as the first time", já dizia a música dos Sade, para o bem ou para o mal.
Todos os sinais gritantes de "Perigo!" aos quais eu poderia ter-me alarmado e fugido que porém, só tiveram o efeito contrário, de me aproximar pela curiosidade e, vulgo, burrice:
(Breve nota introdutória: eu sempre disse o seguinte: "Ponham dez gajos que eu não conheço alinhados contra uma parede, e digam-me qual deles eu não posso ter. Independentemente da razão, os outros todos a partir desse momento deixam de existir; não os vejo, nem sequer estão lá.")
- Também fui brutalmente sincera desde início porque pensei que podia, porque pensei que ele também o estava a ser.
- Também me disse "gosto de ti" assim do nada, despropositadamente, repetidas vezes, sem eu perguntar ou sequer sugerir, antes que algo físico se desse.
- Também me apaixonei antes que algo físico se desse. Também nunca o revelei.
- Também tivemos um primeiro encontro de cerca de 6 horas seguidas.
- Ele também conheceu e flirtou com a Rita antes de me conhecer.
- Também tivemos aquele primeiro momento de euforia que juro que sei que ele pensou que iríamos ser felizes talvez para toda a eternidade.
- Também tive um momento que pensei que não gostasse dele.
- Também gosto mais dele em ausência do que em presença.
- Também me manda beijos despropositados no msn.
- Também diz gostar de mim como sou, e aquelas merdas de que é fantástico eu ser assim brutalmente sincera blá blá blá.
- Também parece um adulto.
- Também parece um gentleman.
- Também é super bem educado.
- Também é mais que tudo uma criação minha.
- Também é divertido.
- Também tem uma cultura que me ultrapassa.
- Também é inteligente, agradável (quando quer), comunicativo (quando quer) e encantador.
"If there's anything that i'm guilty of is to try to recreate over and over again my first perfect failed relationship.", The Closer.
30 March 2008
29 February 2008
I can't stand another lifetime.
20 February 2008
o bliss de que vos falei acontece mesmo sem sexo
Nem tudo é mau, bolas. Aliás, nem tudo é pouco bom. Parece-me completamente injusto só postar quando tenho algo triste a retratar, só porque o blog se tornou desprovido de felicidade e me fui habituando ao tom melodramático.
A minha costela italiana partiu ontem, metaforicamente. Esteve uma semana em Lisboa, e ao partir deu-me a trsiteza. Aquelas noites lindas de folia de dançar, chegar a casa e passar mais um dia fora de directa, e mais outra noite meias acordadas a rir e a falar na cama.
Mas assim que me vi sozinha no meu quarto, meditei. E deu-me uma felicidade indecifrável. Não pude explicar porquê, era apenas feliz. Um sorriso no vago, um arrepio. Amor, amizade, confiança é isto. Lembrei-me que ela está sempre cá, e eu sempre lá.
A saudade é como que um chamamento, e em breve uma de nós tornará. Mas o que mais me apaziguou foi o facto de ter percebido que desde que me conheço a conheço. E não conhecer no sentido prático, conhecer mesmo. Amo-a, e sei que sou amada de volta. E esse tipo de confiança sei que só se atinge a um certo nível. São muitos os anos, foram muitas as discussões, mas este amor é incondicional. Dela, da sua irmã que é também minha, das nossas mães. Com esta “família” sentimo-nos seguras.
Lembro-me de dormirmos juntas mesmo com camas vagas, em pequenas. Todos os verões o fazíamos, e os nossos pais chamavam-nos loucas; preferíamos dormir desconfortáveis a desperdiçar as nossas horas de sono separadas. Não queriamos perder nem um único minuto juntas, porque o final do Verão era demasiado triste, e quando mais divertido fosse, mais depressa passava: o fim das férias, da praia, o regresso à escola e, pior que tudo, a nossa separação.
E sempre imaginei que cedo tudo terminaria. Com a idade começaríamos a ser menos sentimentalistas, e com os namorados as férias juntas acabariam. Ela mesma certa vez fez-me prometer que eu nunca abdicaria daqueles meses de calor nem que me apaixonasse o mais perdidamente por um rapaz, e jurou-o a mim de volta. Mas eu não acreditei.
Ontem, ambas com vinte anos de idade, o refizemos. Dormimos juntas com uma cama vaga, em experiência revivalista. E sei que o fizemos não pelas promessas, mas porque nos dá conforto no desconforto. Aquele calor humano e aquele sentimento de termos onde nos refugiar a meio da noite é crucial na nossa amizade, são quase as bases físicas onde ela assenta.
E sei que ela nunca me trairá com a mesma certeza que nunca a trairei. São exclusivas as relações que mantenho assim. E fiquei feliz, porque sei que posso contar com ela sempre. E também não no sentido prático. Sei que se necessitar, ela apanharia o próximo avião para estar comigo, assim como eu daria um órgão vital para fazê-la viver. É este tipo de relações que anseio, procuro. E faz-me feliz começar a ser mais sensata e saber quais são assim, quais eventualmente serão, e quais nunca foram nem serão. Para além do implícitissimo sentido de confiança na qual as bases do amor verdadeiro assentam que acarreta esse tipo de relações, é claro. É bom sentir amor, e sentir-me amada, nem que seja um amor assexuado, mas principalmente um amor transparente, onde a pessoa me ama pelo que sou, sabendo que ela me pode oferecer muito mais do que eu a ela.
:)
A minha costela italiana partiu ontem, metaforicamente. Esteve uma semana em Lisboa, e ao partir deu-me a trsiteza. Aquelas noites lindas de folia de dançar, chegar a casa e passar mais um dia fora de directa, e mais outra noite meias acordadas a rir e a falar na cama.
Mas assim que me vi sozinha no meu quarto, meditei. E deu-me uma felicidade indecifrável. Não pude explicar porquê, era apenas feliz. Um sorriso no vago, um arrepio. Amor, amizade, confiança é isto. Lembrei-me que ela está sempre cá, e eu sempre lá.
A saudade é como que um chamamento, e em breve uma de nós tornará. Mas o que mais me apaziguou foi o facto de ter percebido que desde que me conheço a conheço. E não conhecer no sentido prático, conhecer mesmo. Amo-a, e sei que sou amada de volta. E esse tipo de confiança sei que só se atinge a um certo nível. São muitos os anos, foram muitas as discussões, mas este amor é incondicional. Dela, da sua irmã que é também minha, das nossas mães. Com esta “família” sentimo-nos seguras.
Lembro-me de dormirmos juntas mesmo com camas vagas, em pequenas. Todos os verões o fazíamos, e os nossos pais chamavam-nos loucas; preferíamos dormir desconfortáveis a desperdiçar as nossas horas de sono separadas. Não queriamos perder nem um único minuto juntas, porque o final do Verão era demasiado triste, e quando mais divertido fosse, mais depressa passava: o fim das férias, da praia, o regresso à escola e, pior que tudo, a nossa separação.
E sempre imaginei que cedo tudo terminaria. Com a idade começaríamos a ser menos sentimentalistas, e com os namorados as férias juntas acabariam. Ela mesma certa vez fez-me prometer que eu nunca abdicaria daqueles meses de calor nem que me apaixonasse o mais perdidamente por um rapaz, e jurou-o a mim de volta. Mas eu não acreditei.
Ontem, ambas com vinte anos de idade, o refizemos. Dormimos juntas com uma cama vaga, em experiência revivalista. E sei que o fizemos não pelas promessas, mas porque nos dá conforto no desconforto. Aquele calor humano e aquele sentimento de termos onde nos refugiar a meio da noite é crucial na nossa amizade, são quase as bases físicas onde ela assenta.
E sei que ela nunca me trairá com a mesma certeza que nunca a trairei. São exclusivas as relações que mantenho assim. E fiquei feliz, porque sei que posso contar com ela sempre. E também não no sentido prático. Sei que se necessitar, ela apanharia o próximo avião para estar comigo, assim como eu daria um órgão vital para fazê-la viver. É este tipo de relações que anseio, procuro. E faz-me feliz começar a ser mais sensata e saber quais são assim, quais eventualmente serão, e quais nunca foram nem serão. Para além do implícitissimo sentido de confiança na qual as bases do amor verdadeiro assentam que acarreta esse tipo de relações, é claro. É bom sentir amor, e sentir-me amada, nem que seja um amor assexuado, mas principalmente um amor transparente, onde a pessoa me ama pelo que sou, sabendo que ela me pode oferecer muito mais do que eu a ela.
:)
06 February 2008
Em tudo aquilo que tens de perfeição, falta-te experiência.
Deve ser por isso que as crianças são tão perfeitas.
Qual dos males o menor, é a decisão a tomar,
Por isso é que eu sou tão fã de errar.
Qual dos males o menor, é a decisão a tomar,
Por isso é que eu sou tão fã de errar.
05 February 2008
pull yourself up like a lady!
- Qual é a melhor forma de aprender?
- Errando.
- Porquê, se é dolorosa?
- Porque é também infalível.
infalível
do Lat. infallibile
adj. 2 gén.,
que não pode falhar;
que não pode errar em matéria de fé (o papa);
que nunca se engana;
inevitável;
certo;
exacto;
seguro.
in dicionário on-line priberam
Não sei porque me queixo, afinal eu escolhi esta vida. O livre arbítrio substituído pelo destino do Renascimento em Florença e no mundo, não me deixam espaço de manobra. Para desculpas. Para arrependimentos e auto comiseração, para desresponsabilização.
É da condição humana, errar. Já dizia a velha e sábia sabedoria popular.
Somos apenas ensinados de forma a minimizar esses erros, e é assim que a sociedade evoluiu pelas e nas bases que hoje conhecemos.
Eu, porém, tenho um cérebro e um coração que decidem ignorar todos os livros, todos os filmes, toda a História, todas as formas de socialização, e agir de forma rudimentar. Pré-histórica, mesmo.

É assim que se comporta uma filha sem pai? Uma pessoa sem identidade cultural? Uma adulta vinda de um lar destroçado? A filha mais nova, mais mimada, com mais atenção de uma família que tende a afastar-se cada vez mais de si própria? Terá a psicologia moderna razão?
Ao ler o livro da história da minha vida, parece-me que sim. Olho para ela, em retrospectiva, e vejo uma data de chamadas de atenção da infância até agora, umas com mais sucesso que outras. O pior, é que isso ensinou-me a ser irresponsável. Que, fizesse o que fizesse, a minha mãe estaria lá para apanhar o meus pedaços. Sempre esteve. Mas desta vez juro que não quero atenção, isto é apenas uma consequência disso.
Olho para a minha vida e revejo-me num pedaço das estatísticas, quando passei toda a minha vida a argumentar contra elas, ignorando-as.
- Errando.
- Porquê, se é dolorosa?
- Porque é também infalível.
infalível
do Lat. infallibile
adj. 2 gén.,
que não pode falhar;
que não pode errar em matéria de fé (o papa);
que nunca se engana;
inevitável;
certo;
exacto;
seguro.
in dicionário on-line priberam
Não sei porque me queixo, afinal eu escolhi esta vida. O livre arbítrio substituído pelo destino do Renascimento em Florença e no mundo, não me deixam espaço de manobra. Para desculpas. Para arrependimentos e auto comiseração, para desresponsabilização.
É da condição humana, errar. Já dizia a velha e sábia sabedoria popular.
Somos apenas ensinados de forma a minimizar esses erros, e é assim que a sociedade evoluiu pelas e nas bases que hoje conhecemos.
Eu, porém, tenho um cérebro e um coração que decidem ignorar todos os livros, todos os filmes, toda a História, todas as formas de socialização, e agir de forma rudimentar. Pré-histórica, mesmo.

É assim que se comporta uma filha sem pai? Uma pessoa sem identidade cultural? Uma adulta vinda de um lar destroçado? A filha mais nova, mais mimada, com mais atenção de uma família que tende a afastar-se cada vez mais de si própria? Terá a psicologia moderna razão?
Ao ler o livro da história da minha vida, parece-me que sim. Olho para ela, em retrospectiva, e vejo uma data de chamadas de atenção da infância até agora, umas com mais sucesso que outras. O pior, é que isso ensinou-me a ser irresponsável. Que, fizesse o que fizesse, a minha mãe estaria lá para apanhar o meus pedaços. Sempre esteve. Mas desta vez juro que não quero atenção, isto é apenas uma consequência disso.
Olho para a minha vida e revejo-me num pedaço das estatísticas, quando passei toda a minha vida a argumentar contra elas, ignorando-as.
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