29 February 2008

I can't stand another lifetime.

O que eu não dava por uma vida em que não tivesse razões para escrever.
O que eu não dava, oferecia, trocava.
Uma vida desinteressante, com a sua rotina inalterável, uma vida como tantas outras.





I hope there's not life after death.




20 February 2008

o bliss de que vos falei acontece mesmo sem sexo

Nem tudo é mau, bolas. Aliás, nem tudo é pouco bom. Parece-me completamente injusto só postar quando tenho algo triste a retratar, só porque o blog se tornou desprovido de felicidade e me fui habituando ao tom melodramático.

A minha costela italiana partiu ontem, metaforicamente. Esteve uma semana em Lisboa, e ao partir deu-me a trsiteza. Aquelas noites lindas de folia de dançar, chegar a casa e passar mais um dia fora de directa, e mais outra noite meias acordadas a rir e a falar na cama.

Mas assim que me vi sozinha no meu quarto, meditei. E deu-me uma felicidade indecifrável. Não pude explicar porquê, era apenas feliz. Um sorriso no vago, um arrepio. Amor, amizade, confiança é isto. Lembrei-me que ela está sempre cá, e eu sempre lá.

A saudade é como que um chamamento, e em breve uma de nós tornará. Mas o que mais me apaziguou foi o facto de ter percebido que desde que me conheço a conheço. E não conhecer no sentido prático, conhecer mesmo. Amo-a, e sei que sou amada de volta. E esse tipo de confiança sei que só se atinge a um certo nível. São muitos os anos, foram muitas as discussões, mas este amor é incondicional. Dela, da sua irmã que é também minha, das nossas mães. Com esta “família” sentimo-nos seguras.

Lembro-me de dormirmos juntas mesmo com camas vagas, em pequenas. Todos os verões o fazíamos, e os nossos pais chamavam-nos loucas; preferíamos dormir desconfortáveis a desperdiçar as nossas horas de sono separadas. Não queriamos perder nem um único minuto juntas, porque o final do Verão era demasiado triste, e quando mais divertido fosse, mais depressa passava: o fim das férias, da praia, o regresso à escola e, pior que tudo, a nossa separação.
E sempre imaginei que cedo tudo terminaria. Com a idade começaríamos a ser menos sentimentalistas, e com os namorados as férias juntas acabariam. Ela mesma certa vez fez-me prometer que eu nunca abdicaria daqueles meses de calor nem que me apaixonasse o mais perdidamente por um rapaz, e jurou-o a mim de volta. Mas eu não acreditei.
Ontem, ambas com vinte anos de idade, o refizemos. Dormimos juntas com uma cama vaga, em experiência revivalista. E sei que o fizemos não pelas promessas, mas porque nos dá conforto no desconforto. Aquele calor humano e aquele sentimento de termos onde nos refugiar a meio da noite é crucial na nossa amizade, são quase as bases físicas onde ela assenta.

E sei que ela nunca me trairá com a mesma certeza que nunca a trairei. São exclusivas as relações que mantenho assim. E fiquei feliz, porque sei que posso contar com ela sempre. E também não no sentido prático. Sei que se necessitar, ela apanharia o próximo avião para estar comigo, assim como eu daria um órgão vital para fazê-la viver. É este tipo de relações que anseio, procuro. E faz-me feliz começar a ser mais sensata e saber quais são assim, quais eventualmente serão, e quais nunca foram nem serão. Para além do implícitissimo sentido de confiança na qual as bases do amor verdadeiro assentam que acarreta esse tipo de relações, é claro. É bom sentir amor, e sentir-me amada, nem que seja um amor assexuado, mas principalmente um amor transparente, onde a pessoa me ama pelo que sou, sabendo que ela me pode oferecer muito mais do que eu a ela.
:)

06 February 2008

Em tudo aquilo que tens de perfeição, falta-te experiência.

Deve ser por isso que as crianças são tão perfeitas.
Qual dos males o menor, é a decisão a tomar,
Por isso é que eu sou tão fã de errar.

05 February 2008

pull yourself up like a lady!

- Qual é a melhor forma de aprender?

- Errando.

- Porquê, se é dolorosa?

- Porque é também infalível.



infalível
do Lat. infallibile
adj. 2 gén.,
que não pode falhar;
que não pode errar em matéria de fé (o papa);
que nunca se engana;
inevitável;
certo;
exacto;
seguro.




in dicionário on-line priberam





Não sei porque me queixo, afinal eu escolhi esta vida. O livre arbítrio substituído pelo destino do Renascimento em Florença e no mundo, não me deixam espaço de manobra. Para desculpas. Para arrependimentos e auto comiseração, para desresponsabilização.

É da condição humana, errar. Já dizia a velha e sábia sabedoria popular.

Somos apenas ensinados de forma a minimizar esses erros, e é assim que a sociedade evoluiu pelas e nas bases que hoje conhecemos.

Eu, porém, tenho um cérebro e um coração que decidem ignorar todos os livros, todos os filmes, toda a História, todas as formas de socialização, e agir de forma rudimentar. Pré-histórica, mesmo.


















É assim que se comporta uma filha sem pai? Uma pessoa sem identidade cultural? Uma adulta vinda de um lar destroçado? A filha mais nova, mais mimada, com mais atenção de uma família que tende a afastar-se cada vez mais de si própria? Terá a psicologia moderna razão?

Ao ler o livro da história da minha vida, parece-me que sim. Olho para ela, em retrospectiva, e vejo uma data de chamadas de atenção da infância até agora, umas com mais sucesso que outras. O pior, é que isso ensinou-me a ser irresponsável. Que, fizesse o que fizesse, a minha mãe estaria lá para apanhar o meus pedaços. Sempre esteve. Mas desta vez juro que não quero atenção, isto é apenas uma consequência disso.

Olho para a minha vida e revejo-me num pedaço das estatísticas, quando passei toda a minha vida a argumentar contra elas, ignorando-as.

23 January 2008

auto-psico-terapia-baratérrima.

A falta de sexo começa a afectar-me de forma bastante grave. Preocupo-me. Será que brevemente estarei eu a adoptar um miúdo de passado traumático? Provavelmente. Os homens na crise da meia idade compram um Ferrari. As mulheres, sempre mais corajosas, na crise de um quarto da idade adoptam um filho. As menos corajosas, um Yorkshire Terrier.

Deve ser por isto que as trintonas passam, e depois vem a menopausa, por isso é que a falta de sexo nas mulheres é mito. Assim como a masturbação. Depois vem a menopausa e elas tentam esquecer o assunto.

Mas pronto, tenho de evitar divagar.

A falta de sexo tornou-me sensível. Embrutecida em relação aos homens - porque demasiadas cicatrizes no mesmo sítio tornam a pele inflexível - mas com o sentido de sensibilidade apuradíssimo para outros aspectos. Nomeadamente, amigos. Nomeadamente, a idade. Ou sou só eu a canalizar sensibilidades, a desvia-las duns sítios para outros, deve ser isso. Estou tão sensível, tão sensível, que dou por mim a criar dissertações sobre karma sentimental, vejam bem (e juro que não é influência - pelo menos directa - da série "O meu nome é Earl").

Lembro-me dos amigos que perdi, ou que vou perdendo. E ultimamente tenho dois, que juro por tudo são as pessoas que melhor conhecimento de causa têm de mim, e que me adoram. Mas um porque arranjou namorada e outro porque está fora do país, não têm tempo para mim. E também porque eles não se agarram às amizades como eu, lá está, têm sexo.

Sinto imenso a falta deles, e relembro-me de todas as gargalhadas que demos. Pergunto-me porquê que tive simplesmente paixões platónicas por eles se poderia ter tido algo mais, e depois lembro-me que não queria abdicar da perfeição daquelas amizades.

Eles são o tipo de pessoas que gostariam de mim ainda mais se eu metesse o dedo no nariz ou desse um peido. Esse tipo de relação, é uma relação.

E adoro-os principalmente por eles saberem quem eu sou, por verem para além do meu presunçoso exterior, por serem inteligentes o suficiente para perceberem - e principalmente não julgarem - a crueza do meu discurso sincero (que só o pode ser mesmo com uma parte distinta de pessoas), por conseguir ter conversas que transcendem o ritual social dogmático estabelecido (e por nos sentirmos arrogantemente superiores por isso, aha!), por adorarem "o meu poço de contradições", como um deles sempre dizia.