14 May 2007

Don't.

Não perguntes.

Parte do princípio que eu estou óptima.


Faz assim, desculpa se te macei este tempo todo com os meus frívolos problemas, e ignora-os.

Tu, mais próximo que todos, passa por cima daquele ritual estúpido e meramente social que todos repetem uns para os outros diariamente, sem sequer esperar outra resposta que não a habitual. O inútil ritual de perguntar "está tudo bem?". Faz isso, atropela-o, excomunga-o. Porque estás demasiado próximo para o fazer.

É frustrante, estar na rua e encontrar um quase desconhecido que executa o ritual comigo e eu, cheia de vontade de responder "não, não está nada bem", não o faço. Porque seria de esperar que tu, quem eu tanto amo e respeito, o fizesses, da próxima vez que me visses. Mas não, continuas a partir do princípio que eu tenho de estar sempre óptima e que não estar a 100% todos os dias é um crime. Isso, parte do princípio que estou óptima. E não só não perguntes, reforça a minha angústia relembrando-me de como sou quando estou bem. Logo tu, de todas as pessoas, que me conheces tão bem... Não perguntes. Parte do princípio que existem problemas "gastos" ou que eu irei ter contigo sempre que precisar. Desculpa se os meus problemas não se renovam.


Desculpa.

08 May 2007

Memorando: esquecer-te.



Só para me lembrar de esquecer-te.


Só para me lembrar que foste o homem mais perfeito com quem alguma vez estive.

Não fosses tu um perfeito animal.

Fico horas a olhar para a única foto que tenho tua.

Claro que saíste desfocado. És um desfocado de merda.

És pessoalmente desfocado, não existes, és um fantasma niilista que deambula por aí, a esforçar-se por não se fazer notar. És uma merda, és uma ilha. Não tens opinião, não existes. Não fazes a diferença, não existes. És a diferença por não ambicionares ser a diferença. Nada ambicionas, só ser ninguém. Nada. Nada importa para ti, não é?



Odeio-te.


Estúpido.
Arrogante.
Antipático.
Inacessível.
Distante.
Frio.
Obscuro.
Misterioso.
Excitante.
Lindo.

Perfeito...











ainda.

06 May 2007

Sono e saltos altos são assim.

Levanto-me a meio da noite. Não consigo dormir. São ataques de ansiedade que tenho andado a fingir controlar, e a fingir não saber do seu porquê.
Estou em negação, é normal.
Acendo a luz. Olho-me ao espelho.
ESTOU GORDA. Muito gorda. Sim, deve ser esse o porquê dos ataques de ansiedade.
Dispo-me.
Dispo-me toda em frente ao espelho. Sou de uma frieza calculável. Analiso-me o corpo tão tecnicamente como se um médico fosse.
Ou nem tanto.
Sento-me na cama, ainda em frente ao espelho.
Despida já não pareço tão gorda, nefastas roupas que me acrescentam volume!



Então reparo. Não obstante tudo, não obstante essas anorécticas todas que se pavoneiam com a minha altura mas com dez quilos a menos, ainda me considero sensual.
Mesmo assim, gosto do que vejo.

Calço uns sapatos de salto alto, ainda nua, e ponho-me na minha melhor posição. Uma que me favoreça. Tenho umas costas fantásticas, e uns seios ainda melhores. Sou sensual sim.
E o que conta realmente é a atitude, sabem?

Faço um sorriso maroto ao espelho, não consigo evitar. Saiu-me, nem dei conta de o sentir aparecer. Era um sorriso maroto sensual, daqueles que dizem “estou tímida assim ao pé de ti, vem dar-me uns beijinhos ao pescoço”.
Um sorriso que serviu para preencher todas as lacunas de sensualidade que tenho sentido quotidianamente em mim.
Claro que na solidão do meu quarto sou confiante, desinibida e sensual, claro.
Esboço outro pequeno sorriso daqueles, desta vez mais humilde. Admiro o meu corpo uma vez mais, cruzo braços e pernas e penso “isto daria uma grande foto. Assim, sem maquilhagem, nem styling no cabelo, só eu e os meus sapatos de salto alto de verniz pretos, a condizer com a cor das unhas”.

Mas neste momento atravesso um infértil deserto de homens, não haveria ninguém para me fotografar.
E ainda bem.
Porque a presença de outros homens não colmata a tua ausência, simplesmente a acentua.
(Tenho estado a esforçar-me, mas não havia outra maneira de expressar a frase anterior de outra forma. Lamento.)








E a seguir? Não, não me masturbei, vesti um top e umas cuecas e vim fazer este post.

03 May 2007

As aulas afinal servem de alguma coisa.

Tenho estado demasiado ocupada, compenetrada no meu estúpido sentimentalismo, que não o tenho conseguido.
Mas hoje tirei o tempo necessário, e lutei contra todos os meus demónios, contra todas as minhas palavras, símbolos, sinais, caracteres, sons, cheiros, sítios, clichés e demais, e consegui.

Tirei o tempo, e evoquei toda a minha concentração, para conseguir perceber.

E percebi.

Consegui estar a atenta a uma aula, e afinal esta não foi só útil a nível curricular.
Quando na nossa mente tudo o que existe são palavras, símbolos, sinais, caracteres, sons, cheiros, sítios, clichés e demais, tudo é analogia.

"A objectividade é como uma folha de papel, se a aproximarmos demasiado dos olhos não conseguimos ler nada, mas se afastarmos o suficiente a folha lemos na perfeição, só que também não a podemos afastar demasiado ", disse a professora na aula.

E isto pode aplicar-se a quase tudo na vida. E não é o oito nem o oitenta que retiro desta equação, longe de mim fazer uma elação tão banal.

O que daqui retiro é uma premissa muito básica mas muito mais importante: agora que algum tempo passou, e que começo a sarar as feridas, consigo ver com objectividade. E é tudo tão claro!...
E sinto-me ridiculamente redundante por dizer que lamento não ter conseguido ver com esta clareza mais cedo, por estar demasiado envolvida. Deve ser isso que as pessoas sábias fazem então, não se envolvem.

Tantas coisas que eu podia enumerar, tantos erros que eu podia ter remediado logo desde o início, tantas falhas a reparar. Mas nada pretendo mudar. Se foi assim, foi. Se eu tivesse retirado da equação estes pequenos grandes erros, estaria a anular uma pequena grande parte do processo de construção da minha personalidade. Por isso digo: ainda bem.



E a pergunta que se coloca é: em detrimento de todos aqueles erros, será que eu teria preferido não me envolver?

02 May 2007

isto NÃO É sobre ele.

Concentração.
Abstracção.
Não me vão sair palavras sobre ele.
Não!
Isto é sobre mim.



Este é o último, derradeiro, post sobre esta temática.




Cresci.
Estou sempre a crescer.
Agradeço-te.
Agora, custa-me admitir, respeito-te. E custa-me ainda mais admitir, quero ser como tu.
Não para, sei lá, aproximar-me de ti, ou sentir que fazes parte de mim.
Porque sim.
Porque não devia ser assim, nem devia escrever isto, como tantos outros erros que cometi. Mas porque sim, porque quero.
Gostaria.

Tenho tentado falar menos de ti às pessoas, e não tenho postado nada porque sei que me saíriam palavras sobre ti. Se tiver que ser o fim do meu blog será. Este é o último post sobre esta temática.
De hoje em diante, nem sequer vou tentar apagar-te. Simplesmente para mim nunca exististe.

Não.
Não existes, nunca exististe sequer.

Não quero falar mais de ti.
Não vou falar mais de ti.
Não vou ouvir-te ou ver-te, apenas simbolicamente porque isso não posso evitar.
Esqueci o teu número de telefone.
Esqueci que tens um endereço de e-mail.
Tu não existes, és virtual, um mito.

As palavras, símbolos, sinais, caracteres, sons, cheiros, sítios, clichés e demais que te representem serão só isso: palavras, símbolos, sinais, caracteres, sons, cheiros, sítios, clichés e demais.




Se tenho a certeza que é assim que quero encerrar este capítulo?
Não.